terça-feira, 6 de março de 2007

aguaceiros nas regiões altas


choviam pedras
quando numa noite
uma mulher que nunca mais acaba
saiu à rua

os braços em forma de céu,
acabando por não acabar
em abismos desmaiados
no peito de homens

dizem que essa mulher sem morte não (a) tem
nome

chorava uma dor de paz
estórias pequenas
e arrumadas que lia de cor
a sua voz lisa

entre meteoros
de fúria
dormente
avançava

há quem diga que é difícil contar as
horas pelos seus dedos

nessa noite
o tempo já passou

porque no seu corpo
o tempo está sempre
muito perto do princípio

do medo
ninguém sabe o paradeiro
à mulher
nunca ninguém lhe ouviu
a morte



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