domingo, 11 de março de 2007

geologias

tanta vida naqueles olhos. naqueles olhos de um minério qualquer sem nome. os olhos com tanta vida que os gestos os passos os líquidos se evaporam, ficam a meio caminho da minha percepção. olham de um rosto quase anónimo. esses olhos cor e consistência de um minério raro para que eu lhe saiba o nome. minério-espelho. a vida dos meus amigos a acontecer dentro desses olhos, as minhas orações a poucos deuses, quando vou às compras, quando volto para trás porque não é aquela a rua por onde quero ir, quando choro em lavandarias (como se nesses sítios não existe já água suficiente) tudo, tudo. quando falei a primeira vez e quando direi a última palavra.
vejo de tudo, um pouco.
nesses olhos de minério-espelho.

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