tanta vida naqueles olhos. naqueles olhos de um minério qualquer sem nome. os olhos com tanta vida que os gestos os passos os líquidos se evaporam, ficam a meio caminho da minha percepção. olham de um rosto quase anónimo. esses olhos cor e consistência de um minério raro para que eu lhe saiba o nome. minério-espelho. a vida dos meus amigos a acontecer dentro desses olhos, as minhas orações a poucos deuses, quando vou às compras, quando volto para trás porque não é aquela a rua por onde quero ir, quando choro em lavandarias (como se nesses sítios não existe já água suficiente) tudo, tudo. quando falei a primeira vez e quando direi a última palavra.
vejo de tudo, um pouco.
nesses olhos de minério-espelho.
vejo de tudo, um pouco.
nesses olhos de minério-espelho.
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