sexta-feira, 30 de março de 2007

inesquecida da carne
rasgo na água um caminho puro,
na concentração certa
de saliva da minha boca
invisível

o amanhã de amanhã
é quando me solto da alma, e as razões amadurecem
túrgidas mas vulgares
seres de pele
sobre pele
sobre todas as variedades
de loucura
que existe

os
amantes dos mortos
permanecem
de pé e de mãos atadas como pássaros que não
descansam os olhos

os sentimentos que me levam
têm o sopro da cal

o
barulho rente ao alto mar
sou eu a sonhar
que voo

roubo aos barcos finitos
os homens que não têm dentro
o saber dos homens do mar

digo eu, a reflectir a dor por detrás do sangue
Posso fugir?
tudo para acreditar mesmo
e jogar fora a religião ferrugenta

horizontes de adeus
pôr do sol na madrugada
tanta sede
quando chega prostituta
a hora de adivinhar a dedicação dos monstros

porque é no princípio do peito que as coisas se sabem

o veneno anoitece de luz
apago a ordem da estações
das linhas
de comboios
que não apanhei

o que se consegue é um esquecimento dormente
de que no fim é a morte.

mais difícil
é ser um homem do mar
permanecendo na terra

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