inesquecida da carne
rasgo na água um caminho puro,
na concentração certa
de saliva da minha boca
invisível
o amanhã de amanhã
é quando me solto da alma, e as razões amadurecem
túrgidas mas vulgares
seres de pele
sobre pele
sobre todas as variedades
de loucura
que existe
os
amantes dos mortos
permanecem
de pé e de mãos atadas como pássaros que não
descansam os olhos
os sentimentos que me levam
têm o sopro da cal
o
barulho rente ao alto mar
sou eu a sonhar
que voo
roubo aos barcos finitos
os homens que não têm dentro
o saber dos homens do mar
digo eu, a reflectir a dor por detrás do sangue
Posso fugir?
tudo para acreditar mesmo
e jogar fora a religião ferrugenta
horizontes de adeus
pôr do sol na madrugada
tanta sede
quando chega prostituta
a hora de adivinhar a dedicação dos monstros
porque é no princípio do peito que as coisas se sabem
o veneno anoitece de luz
apago a ordem da estações
das linhas
de comboios
que não apanhei
o que se consegue é um esquecimento dormente
de que no fim é a morte.
mais difícil
é ser um homem do mar
permanecendo na terra
sexta-feira, 30 de março de 2007
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