Os nomes de livros são entidades abstractas. Metáforas. Longas como longos braços de árvores de inverno. O frio que faz na cama. É uma boa metáfora. Não é preciso ser noite. Não é preciso ser inverno. Pois não. São as franjas, as franjas da poltrona avermelhada de veludo muito gasto que me chamam a atenção e as mãos dos homens todos que passaram pelo meu corpo a brincar. Já não tenho idade. A brincar as mãos são frias e os olhos nas horas escorrem ao contrário é de noite e depois de tarde e depois de manhã. Já aconteceu que tivesse saído para a rua para não voltar. Para não dormir. Sozinha. Os vizinhos que me olham de soslaio e me deixam o elevador sem espelhos para que me não recuse com o fundo da alma o minha boca apagada. Pontualíssimo. Aconteceu-me de repente que já não tenho idade para brincar. Duvido principalmente dos homens bonitos. Dos homens altos e elegantes. E simpáticos. São quase estatuetas decorativas à escala real.
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