Durmo todos os dias em sítios diferentes da casa. Ora no chão, ora suspensa. No quarto ou na marquise. Na cozinha. E todas as noites os sonhos são diferentes. Em cor, em peso, em distância e em lugar.
Esta noite convoquei alguém do passado.
Acordei perturbada, enrolada no tapete do hall de entrada.
Éramos felizes. Havia um elevador antigo. Uma luz baixa sobre as nossas figuras. Dávamos as mãos. Sexo inconsequente.
Os olhos dele estavam cheios de claridade.
Depois acordei para a sinfonia da existência. À previsão de cada nota, à inevitabilidade dos compassos e da ordem das explosões épicas.
À impossibilidade do tempo se fazer em terra redonda onde de todos os pontos de partida se poderia chegar a todos os lugares.
Fossem desertos gelados, mares, cidades.
Ou terras cálidas.
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