terça-feira, 3 de abril de 2007

vidas para embalar

como um ritual. todas as noites.
neve. faça muito frio. calor.
apesar de ainda não ter vivido nesta casa dias que queimem, em que o vento seja uma lembrança de outros tempos. sei que será igual.
os homens não voavam antes de Newton ter baptizado a gravidade.
igual à água. que já era húmida antes de se chorar. antes de se nascer.
ponho-me à janela. falando com esse corpo do céu, a mãe da noite que tudo escurece para poder ser bebida com solidão.
é que eu consolo-a.
para que não sinta tanto a distância.
contando-lhe histórias.
dos filhos todos da terra.
todas as noites.
me encontro com
a lua de verdade.

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